sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Restauração violão Giannini 1973







Estavamos tocando e conversando entre amigos quando eu começei a tocar meu violão Giannini 1976 customizado ( ler : http://cronicasdomaluco.blogspot.com.br/2013/02/minhas-amadas-guitarras.html ) e  meu chará Guilherme mencionou  que havia um violão antigo parado a muitos  anos em um galpão de sua familia.  Fiquei curioso pois  ele não sabia dizer a marca do violão, disse apenas ser  "antigo"... Particularmente  eu adoro instrumentos e objetos  antigos , e pedi para o amigo trazer o violão para que  eu pudesse analisar melhor e buscar pesquisar mais sobre a tal antiguidade.

Ainda no fim de tarde do mesmo dia, "eis que surge" um violão vermelho e grosso de pó..    Na etiqueta dizia: "Tropicalia"   T.Giannini .S.A  tropicalia II  -  AWS 41 ...


Reparei que havia uns nomes  escritos na etiqueta e perguntei mais sobre, e "Eis que surge" uma história por traz dos nomes escritos...

O violão foi comprado pela  avó de Guilherme, e foi dado para seu pai, que infelizmente não continuou com os  estudos da musica e o violão acabou ficando parado por  algumas décadas. Eu disse que provavelmente poderia  ser do inicio dos  anos 70...


Estava com algumas cordas inteiras e outras arrebentadas, reparei que haviam algumas fissuras na madeira e a escala estava descolando, perguntei mais e soube que as tarraxas  estavam ruins e não seguravam nem um pouco a afinação. Outra coisa interessante  que  eu pude observar foi a ponte móvel (o nome correto é Floating Bridge) como aquelas usadas nos violões archtop.

Ficou combinado que eu iria pesquisar sobre o violão e depois ver o que poderia ser feito.



Pesquisei o modelo no site do fabricante GIANNINI segue o link :
   www.giannini.com.br

Na homepage do site  tem uma aba com o nome institucional / catálogos antigos onde você pode pesquisar alguns  instrumentos ja fabricados pela Giannini Brasil.

Por intuição eu fui direto nos catalogos do inicio dos anos 70, e  então encontrei o tal AWN 41 tropicalia II no CATÁLOGO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS E ELETRÔNICA - 1973 / 1977 GIANNINI.





Nunca tinha visto este modelo antes e fui pesquisar melhor mas não encontrei muita coisa sobre este modelo em especial.

 Infelizmente aqui no Brasil os instrumentos  antigos foram se perdendo com o tempo e até mesmo por descuido. 

 O maior valor seria mesmo o valor histórico e até mesmo colecionavel, pois estamos em uma epoca de colecionismo de instrumentos "Vintage" e vejo pessoas pedindo preços  absurdos em instrumentos nacionais de qualidade razoavel, e as vezes ruim. Raramente  encontramos instrumentos nacionais "excelentes" e em perfeitas condições, ainda  mais se tratando de instrumentos antigos com mais de 20 anos. 

O violão em questão se trata de uma peça de qualidade razoavel, onde seu maior valor é o historico e sentimental para o dono. Pude notar falhas graves de fabricação como marcas de lixa e lima groza na madeira, trastes desnivelados e mal colocados e mal limados a ponto de sobrarem cantos afiados a partir da 12ª casa. Falhas que eu pude corrigir nesta restauração, a quase 4 décadas depois de sua fabricação.

Nos violões pintados, a madeira pode variar muito a sua qualidade, visto que a tinta esconde a madeira por baixo do instrumento. Obviamente que isso é uma tremenda "picaretagem", mas se tratando de instrumentos feitos para iniciantes ou produzidos  em larga escala enfim... Não consigo encontrar outra palavra que não seja picaretagem, e mesmo as mais  afamadas  marcas de instrumentos podem usar deste truque para empregar madeiras de baixa qualidade nos instrumentos, pois fica escondida debaixo da tinta. (isto pode ser assunto de um próximo post).


Neste caso, o catalogo diz: "Construido com madeiras brasileiras selecionadas" , mas não especifica qual o tipo de madeira usada. Eu tenho meus palpites sobre o tipo de madeira que foi usado (basicamente cedro e imbuia) e algumas outras que  não pude identificar. O tampo é um laminado fino, bem como o fundo e faixas.
A escala é pintada de preto, imitando o ébano, mas durante a restauração eu tive que recolar a escala, e a madeira real não é  ébano, é uma madeira de coloração clara, entre o marrom e o amarelo-ouro.


"Reza a lenda" .. Que a Empresa Giannini teria feito a linha Tropicália em homenagem ao movimento TROPICÁLIA no Brasil no final dos anos 60...



Se você não conhece o movimento tropicália, aqui vai um pouco de história :


Tropicalismo ou Movimento tropicalista era um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de "Tropicália".
 O movimento tropicalista trouxe várias inovações para o cenário cultural brasileiro do final da década de 60. Eles se caracterizavam pelo excesso, roupas coloridas, cabelos compridos e agregavam várias influências musicais. Era uma mistura da cultura brega, do rock inglês dos Beatles, da música erudita, da cultura popular, entre outros. O som da guitarra elétrica convivia com violinos e com o berimbau.


Pesquisado a origem e história, foi decidido a restauração do violão. Decidimos deixar ele original, porém 100% funcional e corrigir pequenos detalhes e erros de construção além de danos causados pelo tempo.

Eis como o violão chegou até as minhas  mãos :








Muitos  anos de esquecimento em um galpão...







Fotos internas do violão. Note que foi flagrado um pedaço de palito de fósforo e muita sujeira.





Nesta outra foto, pode notar um ninho de aranha marrom.. Tomar cuidado ao manusear coisas antigas, nunca  sabemos  as surpresas que nos aguardam . Ai só tinha um ninho, mas ja não havia mais aranha nenhuma.



 Pó, teia de aranha e sujeira !!!




Aqui ja um trabalho de limpeza









 Observe o mal estado das peças devido a  ação do tempo




A escala estava horrivel, e os trastes foram pintados na fabrica, estavam grosseiramente lixados e não uniformes.




 O cordal enferrujado e solto















A escala descolada







DEPOIS DE HORAS DE TRABALHO E MUITA  DEDICAÇÃO :
"Eis que ressurge"







A escala foi  re-colada no lugar e os trastes retificados, mas sem perder a originalidade.









Quanto ao som..  Inexplicavel...  So mesmo tocando um violão de 40 anos para saber. Muito legal.















Irmãos de fabrica :















O formato da caixa acustica é quase o mesmo, porém o meu é levemente mais largo o tampo, para ser mais exato é uma diferença de 5,2mm, alem das madeiras totalmente distintas  entre um modelo e outro.











   ANTES E DEPOIS :


































segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ATO XXXII : Palavras nunca escritas








A FUMAÇA DESTA NOITE

SE FOI  DIFICIL TOCAR E NÃO VER.

ACIMA UM BRILHO OCASIONAL

BELA NOITE DE SOL.



A  LUA DO MEIO DIA

SE FOI DIFICIL SABER E NÃO VER

ABAIXO UMA ESCURIDÃO PROPOSITAL.



UM RAIO DIRETO, RETO, PERFEITO

PARADOXO SUSPEITO ...



O VENTO DENTRO DA CAIXA FECHADA

SE FOI DIFICIL ESQUECER E NÃO VER.

UNIÃO DO IMPOSSIVEL

SOBRE TEXTO INFINITO

PALAVRAS NUNCA ESCRITAS

IDEALIZAÇÕES SEM IDÉIAS.


E VOLTOU PARA A TERRA

E DA TERRA NUNCA SAIU,


DIRETO E RETO... EM UM ESPAÇO VAZIO.

SE FOI DIFICIL LER E NÃO ENTENDER...




PALAVRAS NUNCA ESCRITAS...